sexta-feira, 28 de maio de 2010

DESAGUAR [... amor]


Voava em terra de escolhos,
Pousei em árvore de sonhos,
E entre lençóis de folhas,
Dormi no mar dos teus olhos,
Teus lábios foram rastilhos,
Os teus seios acendalhas.

Na loucura dos meus beijos,
No chamejar dos desejos,
Abriste o teu lago em flor,
E num vendaval de ais,
O teu corpo foi o cais,
Onde desaguou o amor.

(Num rio desesperado que nunca desagua… o desaguar de mim!)


Carlos Manuel Fernandes Gonçalves

Quinta do Anjo, 23 de Maio de 2010

11 comentários:

cofre de seda disse...

...desaguas amor em forma
de poemas,
e eu me deixo navegar neste
mar de encanto.

que bom vê-lo novamente por aqui,
e melhor ainda,
inspirado como todo bom poeta
deve ser.

deixo beijos desde um Brasil
com frio!


smacksssssssssss

Sonhadora disse...

Meu amigo
Chegaste com a força toda, um belo poema, muito sensual.

Deixo um beijinho
Sonhadora

Fatima disse...

Bonito dimais da conta Carlos!
Que bom ter vc de volta.
Bjs.

Graça Pereira disse...

E desaguaste num poema maravilhoso...para recomeçar o percurso sinuoso do rio das palavras...que nunca conseguirás desaguar...É como se fosse um ciclo: esperar o amadurecer do fruto...beber noites para tocar auroras e ...navegar na esperança até ao último instante que a espera consente...
Beijo
Graça

Claudia disse...

'Dormi no mar dos teus olhos'- Que verso lindo! Grata por sua doce visita. Beijo

Carmo disse...

Querido Carlos, vim beber da tua poesia. banhar-me nas águas dos teus versos.

beijinhos e tem um óptimo fim de semana

Vivian disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Vivian disse...

...um Brasil de domingo
chuvoso, céu ausente de estrelas
e tímida lua, nos convida à paz,
ao aconchego da casa e navegar
via mouse por todo o universo,
pousando aqui e acolá, em casas
de portas abertas a nos receber
com carinho, poesia e amor!

silenciosamente para não
acordar o dono, entro nesta
casa e deixo-me passear
pelos corredores, tocando
nas paredes impregnadas
de intensas emoções em forma
poética que tanto me seduz.

depois,
como boa menina,
saio quietinha, não sem
antes deixar beijos, muitos
deles na alma do poeta
senhor do lugar!

smackssssssssssssss

Carmo disse...

Para a Mafaldinha, com votos de um feliz dia de anos. Um dia vai saber que o avô é um POETA.

A joaninha cansada, de António Torrado


Era uma vez uma joaninha. Pintas pretas sobre fundo encarnado, conhecem o género, não conhecem?
Bem. Como ia contando: era uma vez uma joaninha... O que ela se maçava quando uma menina qualquer a prendia entre os dedos, para lhe soprar a lengalenga do costume: "Joaninha voa, voa, que o teu pai está em Lisboa".
Largada, depois, ares fora, a nossa joaninha refilava:
- Mas qual pai? Mas qual Lisboa?
O pai dela, coitado, morrera há tempos, e a cidade de Lisboa não estava nos seus projectos de viagem. Que mania!
Por isso a joaninha resolveu mascarar-se de escaravelho. Vestiu um pijama às riscas e pronto.
Ninguém diz: "Escaravelho voa, voa, que o teu pai está em Lisboa". Não dá jeito.
Com o que ela não contava era com o Dr. Bisnaga, cientista estudioso de escaravelhos e do grande dano que eles causam à fruta e às batatas. Pois o Dr. Bisnaga viu aquele exemplar um tanto fantasista, ainda não classificado entre as suas variedades, e zás!
Agarrou-o com uma pinça, meteu-o num frasquinho e ala com ele para o seu laboratório, em Lisboa.
Depois classificou-o. Deu-lhe um nome, por sinal o seu, "Escaravelho Bisnaguense", visto que se sentia o descobridor e, até certo ponto, o pai daquela preciosidade.
Por fim, tirou-lhe o retrato, para um grande álbum de escaravelhos que estava a preparar, e foi à vida, à sua vida de incansável investigador de escaravelhos.
Ficaria a pobre joaninha condenada a prisão perpétua, não se tivesse desfeito, a tempo, do pijama às riscas.
- Uma vulgar joaninha no meu laboratório!- alarmou-se o sábio. - Fora daqui.
E atirou-a pela janela...
A joaninha saltou e, atarantada, esvoaçou sobre a fumarada da cidade. Depois, mais decidida, voou desta história para fora. Uf! Chega de aventuras.
Se a virem por aí, deixem-na viver sossegada o seu próprio destino de joaninha sem nome. Ela agradece.

cofre de seda disse...

...entardecer tranquilo,
o sol se deita no horizonte
buscando os carinhos da lua que
vagarosamente vai surgindo em
tom de prata deixando na orla
da praia um brilho sem igual
dançando nas ondas do meu
querer.

boa noite, poeta!

beijinhos!

Parapeito disse...

Bonito ...sensivel...e doce este amor que desagua...assim tao limpo...
Brisas doces para o Carlos