

Subi ao alto da serra da minha terra!
Dezanove horas, instantes do entardecer, o sol declinava no horizonte, o vento calava a suave brisa, algumas nuvens surgiam no céu, indícios de próximas mudanças no tempo, antevisão do término do Verão e da chegada do Outono.
Olhei o horizonte que podia alcançar, campos, planícies, montes e vales, terras dispersas, estradas curvilíneas, aldeias, pessoas feitas formigas, águias e cotovias, natureza, vida…
Sentei-me numa fraga, endeusei-me em pensamento, o homem e a natureza irmanados no mesmo sentimento de encanto e paz, o êxtase do paraíso no silêncio da serra.
(Travessas - A minha terra!
Montes e vales … e o céu no alto da serra!)
Tinha subido dos vales aos montes, tinha subido à serra!
Procurei o céu, não o vi, era apenas ilusão, estava no limite da terra, o corpo pedia-me para descansar – tinha atingido o objectivo -, e de seguida encetar a marcha da descida ao vale, o encanto do entardecer, do pôr – do - sol, do Outono da vida…
Ouvi o fascínio do pedido, a volúpia do paraíso prometido, mas senti a resistência do espírito, corpo e alma em contradição, a diferença no encanto dos grandes espaços, das montanhas mais altas, das varandas sobre o infinito, em contraste com os baixios da vida, os vales profundos, as visões do abismo… Assim, em vez de descer, usei da imaginação e coloquei uma escada, a fazer de ponte, para chegar mais acima, para poder alcançar as estrelas, para atingir o etéreo!
Quero viver a eternidade, na visão deste mundo que amo, perpetuar o meu ser na vivência dos meus amores, no sonho das minhas paixões…
Travessas - Arganil, 15 de Setembro de 2009
Carlos Manuel Fernandes Gonçalves
(Jornal de Arganil nº. 4221 de 29 de Outubro de 2009)
9 comentários:
Maravilhoso este teu encandeamento entre o espaço físico (que descreveste tão bem - deliciei-me)e o espaço do teu interior, dos teus sonhos e desejos. O Outono, visto dessa maneira,já não me parece tão triste!! Um beijo Graçaquelimane
Simbiose perfeita entre o Homem e a Natureza.
Uma entrega na plenitude. um Pas de deux...
Um beijo
Carmo
Carlos,bom vê-lo novamente, inspirado como sempre,confortável esta paragem desfrutar com calma essas imagens que descreveu com profundidade,acho lindo como fala da sua terra,bela união homem e a natureza.beijoss com carinho meu.Lia...
Tb gosto muito deste encontro com a natureza Carlos.
Vc ai aguardando o outono e eu aqui a primavera.
Amo as duas estações.
Bjs querido.
Um texto lindíssimo... no cenário natural da serra, sem descurar o palco natural da vida. Querer viver a eternidade é saborear cada dia, como se fosse único... mesmo no Outono, a minha estação preferida :).
Um beijo com carinho, querido Carlos.
Ola Carlos e familia,como é bom ler o que escreves sobre as Tavessas.Aldeia tão linda mas um pouco só,mas sempre esperando visitantes,mesmo que sejam poucos o que importa é que apareção.As minhas saudades tambem são muitas brevemente irei la tambem para sonhar um pouco naquele sossego,com um pouco de sorte uns passaritos por companhia.Um abraço para todos vos.Beijinhos
Bom dia amigo
Obrigado pela visita
realmente o texto estava lá mas ficou com a letra da cor do fundo e não estava visivel obrigado e desculpe já reparei a situação acontence rsrsrsr
Tenha um bom fim de semana
Beijinhos
... é claro que sim Carlos, tudo se completa.
Estes teus poemas estão lindissimos.
Sei como é boa essa sensação de osmose entre nós e a natureza, e o mar alí bem perto nos olhos do outro e a lua, eterna namoradeira!...
Beijo meu.
...divino e perfeito!
alma e natureza, junção
maravilhosa!
beijo imenso, querido poeta!
aí outono, aqui primavera,
duas estações gostosas de
se estar!
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