terça-feira, 22 de setembro de 2009

O U T O N O - DESACERTO




Se,
pudesse ter rosas no jardim da minha casa, para oferecer-te,
eu gostava do Outono;
Se,
pudesse ver no mar a cor do céu, a cor dos teus olhos,
eu gostava do Outono;
Se,
pudesse ver a Lua quando, na noite escura, te beijo com paixão,
eu gostava do Outono;
Se,
pudesse ver estrelas, numa tarde de Sol, quando te sonho,
eu gostava do Outono;
Se,
pudesse ver em ti a minha musa, na inspiração da tua imagem, quando nos perdemos nas ondas do mato verdejante, na serra da minha terra,
eu gostava do Outono;
Se,
pudesse pintar a beleza do teu corpo desnudado, num campo de flores,
eu gostava do Outono;
Se…



Disseste que gostas do Outono. Que é mesmo a tua estação preferida!

Gostas do Outono, gostas dos dias a diminuir, dos dias cinzentos, das nuvens do entardecer, do pôr-do-sol pardacento, das folhas secas, da vida caída, do desnudar das árvores, dos campos grisalhos, dos jardins vazios, da antevisão do ocaso …

Eu, no oposto, não gosto do Outono, gosto da Primavera, dos dias a crescer, do nascer do sol, dos dias de luz, do renascer da natureza, do rebentar das folhas, do vestir das árvores, dos campos verdejantes, dos jardins floridos, do amanhecer da vida …

Duas imagens em confronto: dum lado, a juventude que sabe que pode admirar a natureza morta, ver encanto no ocaso do dia, viver o presente, sonhando o amanhã, sem ter medo do futuro; do outro, na antevisão dos medos da decadência, o desejo de nascer todos os dias, viver cada dia como se fosse uma vida, admirar a natureza em todo o seu esplendor, sentir a esperança do amanhã, mesmo quando se vive na desesperança do hoje.

Temos os sentidos trocados: tu, que és Primavera, gostas do Outono; eu, que sou Outono, gosto da Primavera!

Neste desacerto de sentimentos, uma certeza, gostas do Outono, gostas de mim… eu sou o Outono da vida!


Quinta do Anjo, 22 de Setembro de 2009

Carlos Manuel Fernandes Gonçalves

15 comentários:

Fatima disse...

Carlos,
o outono pra mim é a preparação para vida nova. Com a gente tb acontece a mesma coisa as vezes precisamos deixar cair todas as folhas, secar a grama e esperar a primavera que vem acordar a beleza de viver que habita em nós.
Todas as estações tem sua beleza.
Bjs meu querido.

Graça Pereira disse...

Carlos
O outono com a tua poesia e as tuas palavras cheias de um colorido, que é vida, fazem do Outono uma estação menos triste.
Tal como tu não gosto do Outono, do frio da paisagem despida. E não é por eu estar no Outono da vida, como tu.Cheguei jovem a Portugal e detestei logo este tempo "esquartejado" em quatro pedaços.Vinha de uma país onde o sol era rei todo o ano. Foi dificil o recomeço.Depois este tempo tornou-se um dia mais negro. Foram as páginas mais tristes da minha vida. Não gosto do Outono e nem do Inverno mas,estou decidida a viver este tempo apaziguada com ele vivendo e descobrindo todas as belezas que ele tem tambem. De certeza que virá um dia que diremos também: a minha estação preferida é o Outono!
Desculpa ter escrito tanto...Um beijo Graça

Jamylle Carvalho disse...

Obrigada por visitar meu blogue!
É um prazer ter sua visita, volte sempre.
;D

Graça disse...

Um verdadeiro poema, o início do teu texto! Lindo.
Na segunda parte, mostras as diferenças das duas estações, associando-as a um "eu" e a um "tu". E que triste seria se todos gostássemos do mesmo e fôssemos todos iguais. Deve ser por isso que os opostos se atraem.

Um beijo, querido Carlos, outonal :).

intervalo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
intervalo disse...

Carlos,...saudando outono aí,aqui primavera com carinha de inverno, assim é a natureza e,nós que dela fazemos parte também temos todas as estações algumas reclamam um pouco mais é ...

O renovar das estações é necessário à natureza,

assim como o renovar da esperança em nossos corações...

Que nossas almas possam refletir a paz do universo

como o reflexo das árvores

numa tarde límpida de outono...

Explosão de alegria, profusão de cores,

Como foi um dia

a explosão de meus amores...

Folhas de outono...
Nas árvores, nos ares, no chão.
Folhas de outono em sua derrareira e incomparável glória,

exalando um aroma adocicado, de flutuante despedida.

O arvoredo transpira as carícias dos ninhos,
e o vento a cirandar na curva das estradas
eleva o folharéu no espaço em redemoinhos...

(Araujo Jorge)

Obrigada pela bela prosa e,pise no tapete maravihoso que outono coloca no chão sinta-se uma criança com colorido das folhas
que o vento movimenta de lá pra cá.Boa tarde pra você.beijoss com carinho meu.Lia...

Lídia Borges disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lídia Borges disse...

O Outono é estação dos cansaços. A Natureza excede-se no Verão e agora, precisa de dormir.
Por isso é que a luz dos dias esmorece... Para a ajudar a adormecer.
Acordará rejuvenescida, na Primavera

L.B.

Carmo disse...

Amigo Carlos Afinal qual o problema?
Se és o Outono e gostas da Primavera ela é Primavera e gosta do Outono (que és tu)é fácil meu amigo, é só deixar que os raios do sol de Outono, façam sorrir a primavera e se porventura estiver uma brisa fresca, porque não a Primavera com toda a sua energia e vida abraçar o melancólico Outono?
Beijinhos
carmo

Delirius disse...

Desta vez lêste-me perfeitamente.
Obrigada.
Também já tinha andado por aqui, neste teu desacerto... :))

Amei!

Beijo.

Miragem disse...

Porque não foi no "MIRAGEM"?
Não ira participar de meu aniversário?
No Faces esta postado como participar...
Lindo fim de semana!!!
Te espero no "MIRAGEM"
Bjks...
Chrys
;)

Delirius disse...

Carlos o meu rosto está em todas as palavras que escrevo, minhas ou não.:)), porque não acreditas nisso?!
Em contrapartida eu pergunto: Porque acreditas que todos os retratos que andam por aí correspondem às respectivas pessoas?!
Talvez eu seja muito céptica, mas não me dizem nada, na sua maioria. O retrato de cada um está naquilo que leio, é como se fosse o espelho da sua alma..., incluo-te no grupo e gosto do que leio.

Um beijo num abraço.

Confesso disse...

Que lindo poema esse seu... Que sentimento transparente na declaração de amor...

Se,
estivese ao teu lado lhe beijava a face...

Delirius disse...

E aqui estou eu de novo:
- para te desejar um excelente fim de semana
- e para te aquietar.
Não amigo, não ando a sofrer os horrores que imaginas e me dizes, nem pouco mais ou menos. Fazemos poesia, lembras?! Verdades fantasiadas, com mais ou menos força. Eu sou de sentires fortes, e assim sendo, também de palavras fortes. Ou oito ou oitenta, lembras?! Eu sou e tu também ;))))

Beijo, amigo. Grata pelo comentário.

Camila Fontenele disse...

Ah, eu gosto da primavera e do verão, mas não deixou de admirar o outono pelas folhas caídas!
Bela poesia...

E fico contente por ter voltado no meu blog :)