quinta-feira, 6 de agosto de 2009

TERRA INOSPITA - FLORES E VIDA

Árvores decrépitas, ramos secos, termo de vida;
Mato derrubado, amorfo, pisado;
Ervas cor de cinza, caídas, exangues;
Pássaros mudos, voando sem rumo;
Calor tórrido, vento ardente;
Terra dura, terra sem vida, terra sem sangue.


Casas velhas, casas remendadas, casebres, pessoas ignorantes forçosamente dóceis, pessoas vendidas, esqueletos de vida…

Mundo de angústia, terra apocalíptica!

Uma flor.
Uma rosa.
Fragrância e paixão.


Uma flor, uma rosa no meio de pedras!

Uma visão doce de serenidade, de amor, em terra impura.

Contraste de vida: o caos e o nada, a esperança e a beleza!

No decurso do trajecto para esta terra, percorri, nos primeiros passos, jardins de frescos lírios, colhi um, foi a primeira ilusão, tudo foi efémero, quão efémeras eram as suas delicadas pétalas. De seguida encontrei um fascinante campo de orquídeas, ali descansei, saciei a fome, a sede e o ardor dos sentidos, foi o meu oásis, o meu amor…

Agora em terra de abandono, admiro, extasiado, uma rosa solitária, de folhas verdejantes e frescas pétalas, como que envergonhada na exposição da pureza e nudez do seu mundo, estranha imagem de mistério em terra bruta… Olho esta flor, contemplo a sensual beleza, o exótico encanto que emana da sua presença, a paixão do seu odor ofusca-me os sentidos, mas hesito, perturbado pelo sentimento de sedução e de posse, apresso o passo, não sei se com a ideia de fugir de me encontrar, ou de me encontrar fugindo… esta flor vai continuar a viver selvagem no vazio daquele mundo!

Amanhã vou seguir viagem, esta terra inóspita vai ficar para trás, os meus passos irão levar-me de novo ao recôndito lugar do meu entardecer, este é um destino que tenho marcado na minha existência e que, por desistência, não ouso contrariar. Nos próximos dias, o vento vai trazer-me, desperto, o cheiro daquela rosa e o adeus que nunca lhe direi, mas tal como desaparece no tempo o odor do vulgar perfume, também na voragem da vida, se vai esvair, dolorosamente, a lembrança dessa flor da minha paixão.

A realidade vai abrir um mar na distância que nos separa e, como mal sei nadar, sei que se um dia a procurar, será, convictamente, para me afogar!

Lírios de Primavera… orquídeas de Verão… rosas de Outono…

Ilusão! Amor! Paixão!

Flores.

Vida!



Agosto de 2008

Carlos Manuel Fernandes Gonçalves

19 comentários:

Princesa disse...

Obrigado amigo pelos carinhosos comentários realmente amar é assim mesmo com loucura com paixão e eu como ser humado que vive para o amor amo assim mesmo.
Este seu post fala de flores que também é uma maneira de amar
um beijo e tudo de bom

Graça disse...

Metafórico, o teu texto... "flores", "vida", um avistar de uma esperança... mas regressas "ao recôndito lugar do meu entardecer".

Gosto de te ler. E agora que nos encontrámos, não te abandonarei :).

[estou de férias :)]

Beijo meu

intervalo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
intervalo disse...

Carlos,sou meio lerdinha neste mar afff,to aprendendo nadar dando primeiras braçadas srsrs,hj te encontrei vim agradecer tua presença na minha pekana ilha.Adorei conhecer teu espaço e escritos muito bom.Por algum tempo andei assim .......

Árvores decrépitas, ramos secos, termo de vida;
Mato derrubado, amorfo, pisado;
Ervas cor de cinza, caídas, exangues;
Pássaros mudos, voando sem rumo;
Calor tórrido, vento ardente;
Terra dura, terra sem vida, terra sem sangue.


Um dia olhei em minha volta vi que tinha ficado lá trás jardins que plantei,rosas desabrochando no meio das pedras,reguei senti perfume suave,acordei eternamente apaixonada pela vida.Desculpa meus devaneios foi somente uma carona nas suas palavras..desejo-lhe uma boa noite.beijoss com carinho meu.Lia...

6 de Agosto de 2009 22:25

Delirius disse...

Bom dia!
Hoje tive insónia, vim passar o tempo aqui...
Gostei de te encontrar.
Gostei do comentário, mas sobretudo da diferença... pelo seu conteúdo! Não é fácil saber ler os outros!... Penso que sou dificil :)
Obrigada.
Beijo.

Lídia Borges disse...

Muito bonito este texto!
Também gosto de flores, gosto do mar e adoro a vida que se renova e me renova em cada manhã.

Obrigada

Um beijo

Princesa disse...

" Não aprenda a fazer, aprenda fazendo.

Em vez de cair apenas em solo

conhecido e macio,

prepare-se para as quedas

no chão duro do mundo."

Obrigado pela visita com tanto carinho sempre
Beijinhos

Carmo disse...

Tudo é efémero, tudo tem um ciclo. è bom estarmos despertos para apreciar cada ciclo de vida, cada lírio, cada rosa cada orquídea que nos abandona para em seu lugar nascerem outras, bonitas plenas de cor, luz e paixão

Muito bonito o seu texto.
Abraço

Carmo

intervalo disse...

Obrigada Carlos pelo teu carinho,que seu final de semana tbém seja encantador assim como perfume e cores das flores do campo.beijoss meus

Delirius disse...

Este teu texto é uma carta de amor!
É de uma doce ternura!
É das mais belas que eu li até hoje!
Beijo!

Fatima disse...

Oi Carlos!
Lindo seu blog e seus textos.
Li um comentário onde você fala que não gosta da palavra saudade e resolvi te enviar está música:

Saudade

Composição: Diácono Nelsinho Corrêa

Só se tem saudade do que é bom,
Se chorei de saudade não foi por fraqueza,
Foi porque amei.

E se eu amei, quem vai me condenar?
Se eu chorei, quem vai me criticar?

Só quem não amou, quem não chorou,
Quem se esqueceu que é um ser humano,
Quem não viveu, quem não sofreu,
Só quem já morreu... e se esqueceu de deitar

Ótima semana para vc.
Abrs.

Graça Pereira disse...

Carlos:
Vais-me surprendendo cada vez mais pela positiva. Tendo que te editar no meu blog no espaço " Os meus poetas"... Não estou a brincar!!
Esta exaltação de amor atrevés das flores, da natureza, é sublime!
Quando aqui venho, saio mais rica com osteus poemas Um beijo grande Graça

Princesa disse...

Obrigado pela visita

O tempo é muito lento para os que esperam

Muito rápido para os que tem medo

Muito longo para os que lamentam

Muitos curtos para os que festejam

Mas, para os que amam,

o tempo é eterno.
Beijinhos

Delirius disse...

Obrigada, Carlos:)
Boa semana.
Beijo.

Princesa disse...

Obrigado pela visita
"O carinho edifica alicerces da casa,

a fim de que, mais tarde,

as provas necessárias da vida

possam chegar."

um beijo

Maresia disse...

Olá!!! Gostei do seu texto e do seu blog... Gostarmos do que é nosso, do que faz parte de nós e nos sustenta é funadamental.Voltarei...

Delirius disse...

aMar, resultou de um ataque em massa e em todas frentes, originado por um poema maravilhoso, que não é da minha autoria, e que eu tive a veleidade, o arrojo, de públicar na minha página. (aproveito para dizer-te que "aMarTe" é meu também ;-)...)!
Foi um ataque que me deixou de rastos!... Acredito que tenha sido ousada a minha atitude, e que seja irreverente este meu hábito de me desnudar! Tenho uma opinião muito própria àcerca de liberdade. Considero-me uma pessoa liberal, mas não sou, nem de perto, nem de longe uma libertina.
Fiz um enorme esforço de vontade para não dar largas ao meu espanto, naquele momento. Recebi comentários altamente ofensivos, senti-me por dentro de blogs que li em outras páginas, li e reli tudo silenciosamente, porque tenho consciencia de que por vezes, no auge de sentires de injustiça, entristecida de comentários maldosos e menos próprios, verificar que de repente deixámos de ser uma pessoa querida e passamos a ser alguém menos digno e que não presta..., dizemos coisas que nos fazem perder o terreno!...Vou dizer-te, não foi nada fácil de engolir, muito menos de digerir. Lá consegui acalmar, recolhi o blog de pois de achar que já todos tinham dito o que havia para dizer, e num momento de inspiração escrevi esse de que gostaste.
Não sei quem és, nem como chegaste a mim. Sou-te imensamente grata pelo teu carinho e delicadeza. Um dia teremos oportunidade de tomar um café, se te apetecer. Tenho curiosidade de conhecer-te.
Beijo!
Até logo.
M.

Delirius disse...

"Agora em terra de abandono, admiro, extasiado, uma rosa solitária, de folhas verdejantes e frescas pétalas, como que envergonhada na exposição da pureza e nudez do seu mundo, estranha imagem de mistério em terra bruta… Olho esta flor, contemplo a sensual beleza, o exótico encanto que emana da sua presença, a paixão do seu odor ofusca-me os sentidos, mas hesito, perturbado pelo sentimento de sedução e de posse, apresso o passo, não sei se com a ideia de fugir de me encontrar, ou de me encontrar fugindo… esta flor vai continuar a viver selvagem no vazio daquele mundo!"

Está fantástico este parágrafo!
Parece verdade, tudo o que nele dizes, parece verdade tudo o que ele esconde!

Beijo.
M.

Anónimo disse...

necessario verificar:)