segunda-feira, 27 de setembro de 2010

D E S T I N O !




Por entre as folhas do Tempo,
Cismo o frívolo da vida.
Sei que nasci a destempo,
Em caminho só com ida.

Não vi germinar os ninhos,
Esperança da natureza.
Calei a poesia dos sonhos,
Cantei o rocio da tristeza.

Tempo de tropeço na vida,
Neste destino feito ida,
É a claridade que mondo.

Sou fantasma, quimera, sombra,
Grito inane que me assombra,
Soluço onde me escondo!


Carlos Manuel Fernandes Gonçalves

Quinta do Anjo, 25 de Setembro de 2010

11 comentários:

Fatima disse...

Ah meu amigo!
Seu destino é brilhar em nossos corações!
Bjs.

Vivian disse...

...por quê esta melancolia,
esta tristeza infinda,
se trazes no cerne a poesia,
e a sina dos poetas é enfeitar
a vida?

por quê esta dor pungente,
se encantas toda gente,
e a mim tanto fascinas?

será coisa do destino?

não creio meu doce menino,
pois aprendí desde cedo
que ser feliz é uma escolha
para driblar desatinos.

abraço-TE

bj, poeta querido lindo!

Lídia Borges disse...

Carlos,

reparo que cada texto teu denota um crescente rigor nesta arte da escrita. Este soneto é exemplo disso. A estrutura interna transporta-nos para um plano de desencanto:
"Calei a poesia dos sonhos,
Cantei o rocio da tristeza."
Mas o que dizer se a alma do poeta percepciona assim as "verdades" do mundo exterior?

Um beijo

Doroni Hilgenberg disse...

Carlos, na verdade, depois que nascemos, nosso caminho é uma eterna ida, seja tropeçando ou se escondendo nessa vida e sem garantia nenhuma de uma volta amorosa e segura.
Bjs

Graça Pereira disse...

O destino só nos oferece um bilhete: o da ida! Que importa? Se chegarmos ao fim da viagem, livres, despojados, ricos apenas de tudo aquilo que fomos pelo caminho, como círios acesos, dourados, quentes e vivos... teremos cumprido o nosso destino!!
Beijo
Graça

Sonhadora disse...

Meu querido
Maravilhoso como sempre o teu sentir.
Leio-te em silêncio.

Beijinhos com carinho
Sonhadora

Graça Pereira disse...

Carlos
Gosto muito de Poesia, de a ler e de a dizer...mas não é a minha praia! Eu sou uma contadora de histórias... tal como o meu Pai que era uma delícia ouvi-lo São coisas que se herdam...julgo eu!
Já o meu filho gosta e acho que escreve bem os seus poemas( passe o amor de mãe...) Gosto muito daquele poema que editei há dias "Sem nome"!
Acabei o meu livro e ando á procura de uma Editora...Veremos!!
Beijo
Graça

Lídia Borges disse...

Carlos,
vim só para dizer que quem ama a vida e se deixa surpreender por ela todos os dias, como me parece acontecer com o Carlos, nunca será velho, por mais anos que conte.

'Gostava de morrer, vivendo e não de andar no crepúsculo, morto!'

Escrevi um dia:
"Quando a morte vier
quero que me encontre, distraída
a VIVER"

Não sei se algum dia seremos mesmo velhos. Acho que não! :)

Um beijo

Vivian disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Carmo disse...

Querido Carlos, O teu destino não é de ida, não senhor. O teu destino é continuares a deliciar-nos com magnífica poesia. (minha Florbela Espanca em versão masculina...lol).
Beijo e boa semana

Linda Simões disse...

Carlos,

Fui até "Outono" e fiquei encantada.Com as palavras escritas podemos falar tantas coisas... Mas só os poetas o fazem com maestria.

O destino,nós o traçamos...

"Mas é claro que o Sol vai voltar amanhã...Mais uma vez, eu sei..."

Sê feliz hoje.

:))


Linda Simões